Fernanda Gomes dos Santos (Niterói, RJ, 1986) é artista visual independente e autodidata. Vive e trabalha em São Paulo, onde desenvolve uma pesquisa centrada no retrato como território de memória, identidade e afirmação.
Sua trajetória artística teve início no desenho e na criação digital, expandindo-se posteriormente para a pintura. Após investigar diferentes linguagens, encontrou no retrato o principal campo de expressão de sua produção, construindo uma obra que articula observação, sensibilidade e pertencimento.
Ao eleger corpos e rostos negros como protagonistas, Fernanda Gomes transforma o retrato em um gesto de reconhecimento e reparação simbólica. Sua pintura dialoga com a ancestralidade afro-brasileira ao mesmo tempo em que inscreve essas figuras na contemporaneidade, revestindo-as de elegância, força e autonomia. Chapéus, lenços, óculos e referências ao universo da moda e das grandes grifes deixam de ser apenas elementos estéticos para assumir um caráter simbólico, questionando imaginários historicamente excludentes e reafirmando o direito à beleza, ao desejo, ao consumo e à ocupação plena de espaços sociais.
Entre memória e representação, sua obra propõe novas imagens para a experiência negra, celebrando subjetividades que se afastam dos estereótipos e afirmam a potência de uma identidade construída a partir do orgulho, da ancestralidade e da liberdade de existir.
A pesquisa de Fernanda Gomes insere-se no campo do afro-modernismo brasileiro ao construir uma narrativa visual em que pessoas negras ocupam o centro da imagem como protagonistas de suas próprias histórias.
Partindo da tradição da pintura moderna, a artista desenvolve uma linguagem contemporânea marcada pela simplificação das formas, pela valorização da cor e por composições que transformam cenas cotidianas em imagens de contemplação.
Suas obras retratam momentos de lazer, descanso, afeto e convivência — piscinas, praias, festas e retratos — propondo uma memória visual em que a presença negra é representada com naturalidade, beleza e dignidade. Em um país onde essas experiências foram historicamente pouco registradas pela arte, sua pintura amplia o imaginário coletivo ao apresentar novos modos de ver e representar a vida negra.
Mais do que revisitar o passado, seu trabalho imagina um presente em que essas histórias sempre tiveram lugar. Cada pintura torna-se um espaço de pertencimento, memória e celebração da existência negra.